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Irã se mobiliza para enfrentar ataque militar dos EUA

Irã ativa preparação diante das novas ameaças dos Estados Unidos

Bandeiras nacionais iranianas são vistas em praça de Teerã (Foto: Leonardo Attuch)

247 - O Irã prepara mobilização interna de suas forças enquanto cresce a tensão no Estreito de Ormuz, depois que veículos iranianos afirmaram que um navio de guerra dos EUA teria sido atingido por mísseis perto do porto de Jask, versão negada por Washington. em meio às negociações para encerrar a guerra.

Segundo reportagem da Al Jazeera, a agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou que a embarcação norte-americana teria ignorado avisos antes de ser atingida por dois mísseis e obrigada a se retirar da área. As Forças Armadas dos Estados Unidos negaram, em comunicado nas redes sociais, que qualquer navio norte-americano tenha sido atingido.

O chefe do comando militar conjunto do Irã, major-general Ali Abdollahi, advertiu que forças dos EUA seriam atacadas caso entrassem no Estreito de Ormuz. Ele afirmou que as forças sob seu comando vão “manter e administrar a segurança do Estreito de Ormuz com todas as suas forças”.

A declaração foi uma resposta ao anúncio feito no domingo pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que Washington “guiaria” embarcações retidas pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã por essa rota estratégica. O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais sensíveis do mundo e voltou ao centro da escalada entre Teerã e Washington.

Teerã analisa proposta dos EUA

As tensões ocorrem enquanto autoridades iranianas tentam mobilizar apoiadores para um possível conflito prolongado, mesmo com a continuidade da troca de propostas com os Estados Unidos. A guerra começou em 28 de fevereiro, e as negociações buscam um caminho para encerrá-la.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que Teerã analisa o texto mais recente enviado por Washington por meio do Paquistão. Ao mesmo tempo, o governo iraniano cobrou uma postura mais “realista” de Trump.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou a jornalistas que as autoridades em Teerã não discutirão “nada além do fim completo da guerra nesta fase”. A fala indica que o governo iraniano tenta limitar o escopo das conversas ao encerramento do conflito, sem aceitar uma negociação mais ampla neste momento.

Campanha Jan Fadaa busca manter mobilização 

Quase um mês depois de um cessar-fogo suspender os combates em larga escala, autoridades iranianas buscam reconstruir capacidades de mísseis e drones para a hipótese de retomada da guerra. Entre as medidas citadas pela Al Jazeera estão escavações para reabrir entradas bombardeadas de bases subterrâneas usadas para armazenar munições e equipamentos.

A principal iniciativa pública das autoridades para manter a narrativa de guerra ativa no cenário interno se chama Jan Fadaa. A expressão se refere a uma pessoa disposta a “sacrificar” a própria vida por uma causa. O cadastro de voluntários é feito em um site estatal, inicialmente apenas com número de telefone, sem exigência de documento nacional de identificação.

Uma mensagem de texto atribuída ao líder supremo Mojtaba Khamenei classificou a Jan Fadaa como “um dos principais elementos de impacto nas negociações com o inimigo”. O presidente do país, o presidente do Parlamento e outros integrantes do governo elogiaram a iniciativa, afirmando estar “orgulhosos” de representar seus membros. O chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, chamou a campanha de “histórica”.

A mídia estatal tem divulgado entrevistas com participantes da campanha. Em uma delas, um homem acompanhado por familiares disse à agência Mehr, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica: “Estarei em campo com minha família pelo tempo que for necessário”. Ele também manifestou disposição “para lutar até a morte”.

A Jan Fadaa afirma ter mais de 31 milhões de membros ativos, número equivalente a pouco mais de um terço da população iraniana e a mais da metade dos habitantes com mais de 12 anos.

As autoridades iranianas nomearam Sasan Zare como porta-voz da campanha. Em entrevista coletiva, ele afirmou que mais de 60% dos inscritos são mulheres e que a “maioria” dos participantes tem entre 20 e 45 anos. Ele também disse que a Jan Fadaa deixará seu estágio “simbólico” e passará a convocar cadastrados para atividades definidas pelo Estado, que ainda serão anunciadas.

A combinação entre alerta militar no Estreito de Ormuz, disputa de versões sobre o suposto ataque a um navio dos EUA, bloqueio da internet e mobilização interna mostra que o governo iraniano tenta sustentar uma postura de prontidão enquanto avalia a proposta norte-americana para encerrar a guerra.

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