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Trump prevê “bons acordos” com o Brasil e Lula afirma que "não há razão para conflito"

Presidente dos EUA e presidente brasileiro se encontraram na Malásia e prometeram encerrar disputas comerciais e retomar cooperação econômica

Lula e Trump se encontram na Malásia (Foto: AFP / Getty Images)

247 – Durante encontro oficial na Malásia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acredita na possibilidade de firmar “bons acordos” comerciais com o Brasil após uma série de desentendimentos bilaterais. A reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada neste domingo, marcou o primeiro diálogo formal entre os dois líderes desde a imposição de tarifas punitivas norte-americanas a produtos brasileiros. As informações são da agência Bloomberg.

Trump disse que os dois países “se dão muito bem” e que pretende concluir rapidamente um acordo comercial. “Devemos ser capazes de fazer bons negócios para ambos os países”, declarou. Segundo ele, as negociações serão conduzidas por sua equipe econômica, incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

Lula também demonstrou otimismo em relação ao futuro das relações bilaterais. “Acredito que poderemos anunciar boas notícias”, afirmou o presidente, acrescentando que “não há razão para qualquer tipo de conflito entre o Brasil e os Estados Unidos”. O líder brasileiro levou uma pauta escrita em inglês para a reunião e encerrou as perguntas da imprensa alegando limitação de tempo.

Primeira reunião após meses de tensão

O encontro foi o primeiro entre Trump e Lula desde o acirramento das tensões comerciais iniciado em julho, quando Washington impôs tarifas de 50% sobre exportações brasileiras de café e carne. Na ocasião, Trump havia tentado impedir o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Suprema Corte, o que agravou a crise diplomática. Além das tarifas, o governo norte-americano aplicou sanções e restrições de visto a autoridades e familiares brasileiros.

Questionado sobre a situação de Bolsonaro, Trump declarou sentir-se “muito mal” pelo aliado, mas evitou comentar se o tema faria parte das conversas. “Isso não é da sua conta”, respondeu a um repórter.

Retomada das negociações e temas em pauta

Após meses de relações congeladas, os diálogos entre Brasil e Estados Unidos foram retomados no mês passado, quando Trump e Lula se encontraram brevemente durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A partir desse contato, os dois governos decidiram reabrir canais de negociação.

Segundo a Bloomberg, as tratativas devem abordar temas como tarifas e sanções, práticas comerciais investigadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA, regulação de empresas de mídia social norte-americanas no Brasil e políticas para o setor de etanol.

Brasília tem preparado relatórios de base sobre diferentes assuntos relevantes para as discussões, como regulação digital, data centers e minerais críticos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo — atrás apenas da China — e Lula já indicou disposição para discutir oportunidades de cooperação nesse setor estratégico, fundamental para veículos elétricos, sistemas de armas e equipamentos médicos.

Questão venezuelana

Outro tema que pode entrar na pauta é a situação da Venezuela. Nos últimos meses, os Estados Unidos afirmaram ter interceptado embarcações que transportavam drogas a partir do país vizinho, o que gerou especulações sobre uma possível ação militar. Embora o Brasil tenha evitado envolvimento direto, Lula já havia alertado Trump, em conversa telefônica anterior, que um conflito armado na América do Sul seria “devastador para a região”.

Trump, por sua vez, afirmou que estaria disposto a tratar do assunto “caso Lula desejasse”, mas disse não prever discussões específicas sobre o tema.

O encontro na Malásia é visto como um passo importante para restaurar a cooperação entre as duas maiores economias das Américas, abrindo caminho para uma possível reaproximação após meses de tensão comercial e diplomática.

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