'A tendência é de que o caso Master não fique no STF', diz Fachin
Presidente do STF quer reduzir danos à imagem da Corte em decorrência de negócios que ligam parentes de ministros a negócios do banqueiro Daniel Vorcaro
247 - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou que o inquérito nas mãos do relator Dias Toffoli não deve ficar na Corte. “Há uma suscitação de que não há razão desse processo estar no STF. Eu creio que numa direção ou outra, isso ficará claro, provavelmente quando o básico da instrução, os depoimentos tiverem sido tomados, as extrações de documentos tiverem sido feitas, se aquela questão justifica ou não. Há uma tendência, pelo que se verifica até agora, que não se justifique ficar aqui”, disse Fachin em entrevista à coluna da jornalista Ana Flor, do G1. O retorno do caso à primeira instância é visto como uma forma de atenuar a crise de imagem que atinge a Corte. A medida é tratada por integrantes do tribunal como uma “saída honrosa” para o ministro Dias Toffoli, relator das investigações, que enfrenta questionamentos internos sobre a condução do inquérito, mas resiste a abrir mão do processo. . A crise na imagem do STF ocorre em um contexto no qual parentes do ministro Dias Toffoli têm negócios com pessoas que, de alguma forma, têm ou chegaram a ter relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, centro das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e outras instituições. A PF estima que a movimentação irregular pode chegar a R$ 17 bilhões. Na entrevista, Fachin destacou a importância da aprovação de um código de conduta, mas, conforme o magistrado, ainda não há prazo para que a proposta seja sancionada. “A autorregulação não é gesto de concessão, mas de maturidade institucional. O Tribunal que avança em direção à transparência fortalece sua legitimidade perante a sociedade”, disse. Segundo Fachin, “a discussão sobre a adoção de um Código de Conduta pelo Supremo Tribunal Federal representa uma etapa natural do aprimoramento institucional da Corte”. “O Tribunal ocupa hoje posição central no desenho constitucional brasileiro, o que torna legítimo e necessário que sejam estabelecidos parâmetros claros de transparência, integridade e autocontenção, compreendidos tanto internamente quanto pela sociedade a quem o Tribunal, em última instância, deve sua legitimidade”.
Decisões anunciadas por Toffoli
O ministro Dias Toffoli determinou que todos os bens, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos pela Polícia Federal fossem lacrados e enviados diretamente para a sede do STF, em Brasília (DF). O gabinete do magistrado também orientou a Polícia Federal a manter celulares e computadores apreendidos carregados e desconectados da internet.
O ministro do STF, porém, recuou de alguns pontos da decisão anterior e autorizou que quatro peritos da PF indicados por ele tenham acesso ao material colhido na Operação Compliance Zero, apontou o Valor Econômico nesta quinta (15). Toffoli também ordenou o envio do material à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Conforme interlocutores da PF, a própria corporação vê risco às investigações com as recentes decisões do ministro.
O ministro do STF Dias Toffoli viajou a Lima, no Peru, em dezembro de 2025, em um avião particular, para assistir à final da Libertadores, disputada entre o Flamengo e o Palmeiras, apontou a coluna de Lauro Jardim em 7 de dezembro. O trajeto foi feito ao lado de um advogado que integra a defesa de um dos investigados no caso do Banco Master, Augusto Arruda Botelho.
O magistrado foi no jatinho privado do empresário Luiz Oswaldo Pastore, suplente de senador pelo MDB e proprietário do jatinho que levou o magistrado e o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, um dos alvos das investigações sobre o Banco Master.
Em 11 de janeiro, uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades.


