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Empresa de Vorcaro pagou R$ 165 milhões a galeria de arte em SP

A CPMI do INSS identificou remessas milionárias da Super Empreendimentos a uma renomada galeria de São Paulo

Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

247 - Uma empresa vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bancárias, realizou transferências que somam R$ 165 milhões a uma galeria de arte localizada em São Paulo. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (17) pelo portal Metrópoles e integram o conjunto de documentos sob análise da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Os investigadores obtiveram acesso às anotações pessoais de Vorcaro após a quebra de sigilo do empresário. O material indica que o dono do Banco Master teria orientado os pagamentos à Almeida & Dale Galeria de Arte, conhecida no mercado nacional pela curadoria de alto padrão, a partir de abril de 2024.

A empresa intermediária e os pagamentos

Os repasses foram realizados por meio da Super Empreendimentos e Participações S.A., identificada pelas autoridades como uma intermediária utilizada pelo banqueiro para operações financeiras suspeitas. A empresa já havia sido apontada como canal de pagamento a operadores de atividades ilícitas, entre eles os ex-servidores do Banco Central Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, além de integrantes do grupo criminoso denominado "A Turma".

No total, a Super Empreendimentos realizou nove pagamentos à galeria entre 2024 e 2025. A primeira transferência, de R$ 10 milhões, ocorreu em 4 de abril de 2024, seguida por outras duas parcelas de mesmo valor nos meses subsequentes. A partir de maio de 2025, foram registradas seis parcelas mensais de R$ 22,5 milhões cada, completando o montante de R$ 165 milhões.

As obras adquiridas

Entre os artistas cujas obras foram compradas à galeria estão nomes de peso do mercado nacional e internacional: Beatriz Milhazes, Sergio Camargo, Tomie Ohtake, Tracey Emin e Os Gemeos. Uma obra do escultor norte-americano Alexander Calder também chegou a ser adquirida, mas foi posteriormente devolvida à galeria.

A galeria se pronuncia

A Almeida & Dale confirmou sua participação nas negociações, mas ressaltou que atuou apenas como intermediária e que nunca manteve contato direto com os dirigentes da empresa compradora. "A Almeida & Dale intermediou, no exercício regular de suas atividades, a venda de obras de arte pertencentes a clientes para a empresa Super Empreendimentos entre abril de 2022 e abril de 2025 — período anterior a qualquer questionamento público envolvendo essa companhia", afirmou. 

"Todas as negociações foram conduzidas por meio de um intermediário independente, um advisor especializado no mercado de arte que representava a Super Empreendimentos. A galeria, seus sócios e colaboradores jamais tiveram contato direto com os sócios ou dirigentes da empresa compradora", continuou. 

Segundo a nota, "a Almeida & Dale emitiu regularmente notas fiscais referentes às comissões recebidas nessas operações, em estrita conformidade com a legislação". "Todas as transações foram formalizadas por meio de contratos e registros comerciais, e os respectivos comprovantes de recebimento e documentação fiscal encontram-se devidamente arquivados pela galeria, conforme exigido pelas normas legais e contábeis", escreveu.

"A galeria foi a primeira do setor no Brasil a implementar políticas formais de compliance e cumpre rigorosamente a legislação vigente e as normas da Receita Federal em todas as transações comerciais de que participa. Em linha com as melhores práticas de confidencialidade do mercado de arte, a galeria não divulga informações sobre títulos, valores ou destino de obras comercializadas. Essa política busca preservar a segurança e a privacidade de clientes, artistas e parceiros comerciais".

O contexto das investigações

Daniel Vorcaro está preso no âmbito das investigações que apuram fraudes bancárias associadas ao Banco Master. O esquema investigado pela CPMI do INSS envolve suspeitas de desvios de recursos públicos e o uso de pessoas jurídicas como camadas para movimentação de valores. 

A identificação dos pagamentos à galeria de arte aprofunda o escrutínio sobre a rede de empresas e operadores ligados ao banqueiro, ampliando o alcance das apurações em curso no Congresso Nacional.

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