Mercadante: BNDES busca solução para crise financeira da Raízen
Banco negocia com credores e vê recuperação possível para gigante de biocombustíveis em meio à reestruturação financeira
247 - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou na terça-feira (17) que a instituição atua para viabilizar uma solução para a Raízen, empresa que atravessa um processo de reestruturação financeira por meio de recuperação extrajudicial. A companhia, controlada por Shell e Cosan, ocupa posição central no setor de biocombustíveis.
Segundo Mercadante, o banco mantém interlocução com credores e acionistas da empresa, ainda que não participe formalmente do processo de recuperação. Ele ressaltou que há interesse direto na preservação da companhia, em razão de sua relevância econômica e da consistência de seus ativos.
“Temos todo interesse que a empresa se recupere, porque ela tem resultados muito sólidos, ativos muito importantes, e peso muito grande no setor de biocombustíveis. Acreditamos que essa recuperação é possível e estamos trabalhando nessa direção, mesmo não estando na recuperação extrajudicial […] Empresa de capital aberto não comentamos futuro porque não contribui. Estamos ajudando a encontrar boa solução para a empresa”, declarou.
O presidente do BNDES evitou detalhar eventuais formas de apoio, mas sinalizou que o banco pode participar de futuras operações de financiamento. Ele destacou que a instituição não integra a recuperação extrajudicial porque seus créditos estão lastreados em garantias reais, diferentemente da maioria dos demais credores.
“O BNDES não está na recuperação extrajudicial, porque nossos créditos têm garantia real. Todos os demais [atores das conversas] estão. Evidente que ser banco público de desenvolvimento favorece essa possibilidade, mas, se olhar, na Americanas tínhamos financiamento, e o BNDES recebeu integralmente seus recursos. Na Oi foi a mesma coisa. Light, mesma coisa. Por isso temos uma inadimplência tão baixa”, afirmou.
Mercadante também enfatizou a robustez do grupo Cosan, controlador da Raízen, destacando ativos considerados estratégicos, como Compass, Moove e a participação na Rumo. Ele classificou a Raízen como a maior produtora de etanol e açúcar do mundo, reforçando a avaliação de que a recuperação é viável.
Ao comentar a possibilidade de mudanças no setor de distribuição de combustíveis, o presidente do banco indicou que qualquer eventual movimento envolvendo ativos da Raízen dependeria de avaliação da Petrobras. A estatal está impedida de retornar a esse segmento até 2029, devido a compromissos contratuais vigentes.
“O grupo Cosan tem ativos muito estratégicos, por exemplo a maior distribuidora de gás, ativos muito importantes para a Petrobras, que foram e continuam sendo importantes para a distribuição de gás. Tem essa rede de postos de gasolina Shell, centenária, com oito mil postos. Esses ativos podem vir a ser de interesse da Petrobras, mas isso é uma análise que a Petrobras vai fazer, não o BNDES”, disse.
Ele acrescentou que existe potencial de sinergia entre os ativos da Cosan e a estatal, mas ponderou que decisões desse tipo dependem da estratégia de investimentos da Petrobras. “Tem sinergia sim com a Petrobras, mas aí tem que avaliar se ela tem apetite, interesse, se está dentro de plano de investimentos, compra de ativos, mesmo na área de biocombustíveis, em que tem participação”, concluiu.


