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Fabio Luís Lula da Silva admite ao STF “relação esporádica” com o “careca do INSS”

Filho do presidente admitiu ter feito viagem a Portugal paga pelo empresário

Fabio Luis Lula da Silva (Foto: Reprodução)

247 - A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele participou de uma viagem a Portugal custeada pelo empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e investigado por suspeita de participação em um esquema de desvios em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A manifestação foi encaminhada ao ministro André Mendonça após a revelação de que o sigilo bancário do empresário foi quebrado no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Os advogados apresentaram esclarecimentos sobre o contato entre Fábio Luís e Antunes e afirmaram que não houve qualquer relação comercial entre os dois.

Segundo a defesa, o encontro ocorreu em 2024, quando o empresário foi apresentado a Fábio Luís por meio da amiga Roberta Luchsinger. Na ocasião, Antônio Camilo Antunes teria sido descrito como um empresário bem-sucedido do setor farmacêutico.

Na petição apresentada ao Supremo, os advogados sustentam que o contato foi restrito ao âmbito social. “Era com esse ANTÔNIO CAMILO, suposto empresário de sucesso da área farmacêutica e parceiro comercial de sua amiga, que o peticionário teve relação esporádica e de natureza social. FÁBIO LUÍS jamais firmou qualquer tipo de relação comercial com ANTÔNIO CAMILO, tampouco tinha conhecimento sobre fraudes no INSS ou outras ilegalidades”, afirmaram.

O documento também descreve que, durante uma conversa, o empresário mencionou um projeto comercial relacionado à produção de medicamentos à base de canabidiol. O tema despertou interesse de Fábio Luís em razão do tratamento médico de uma sobrinha que utiliza a substância.

De acordo com a defesa, nesse contexto surgiu o convite para acompanhar uma viagem a Portugal. “Nessa mesma conversa, ANTÔNIO CAMILO contou que iria a Portugal para conhecer a produção dos medicamentos e convidou o peticionário a acompanhá-lo sem qualquer compromisso. O convite foi aceito e ANTÔNIO CAMILO levou FÁBIO à Portugal em novembro de 2024, arcando com os custos da viagem. FÁBIO LUÍS acompanhou a visita a possíveis fornecedores e propriedades e essa foi toda a extensão da relação do peticionário com o projeto. Ele não participou de negociações, não investiu trabalho ou valores e tampouco recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas”, diz o texto apresentado ao STF.

Os advogados acrescentam que, no momento da viagem, Fábio Luís acreditava tratar-se de uma iniciativa legítima conduzida por um empresário do setor farmacêutico. Segundo a defesa, apenas meses depois a imagem pública de Antônio Camilo Antunes teria mudado, após a deflagração da Operação Sem Desconto, em quarta-feira (23), que apontou possível relação do empresário com fraudes no INSS.

A Polícia Federal investiga o empresário por suspeita de participação em um esquema de desvios em benefícios previdenciários. No inquérito, o nome de Fábio Luís Lula da Silva aparece citado em depoimentos, trocas de mensagens e registros de passagens aéreas analisados pelos investigadores.

A defesa sustenta, no entanto, que Fábio Luís Lula da Silva jamais atuou no INSS e não teve participação em qualquer atividade ligada ao órgão ou ao suposto esquema investigado.

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